quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sem Título

Sem explicações ou comentários hoje, caros leitores. Só desabafos.

Abraços,

Da Autora.

___


Eu voltei para casa em passos largos mas fracos, não sabia se me sentia aliviada, ou se me sentia destruída. A sensação que perdi algo que não queria, mas outra que queria, me deixou um tanto confusa e desanimada. Nunca pensei que voltaria para casa com um trecho de uma letra de Renato Russo, logo eu, que sempre o detestei (nada contra quem gosta, simplesmente não consigo gostar). Aquela velha melodia cantarolada por Cássia Eller, "sem saber, que o pra sempre, sempre acaba".

As pessoas passam a vida inteira esquecendo que o para sempre não existe. É infeliz pensar que tudo acaba, mas é a realidade. Eu não queria um jeito, ele não queria outro. Nossas conversas ainda fluíram tranquilamente, mesmo que o assunto para elas agora fossem tensos. Era um problema de pensamentos não entendidos, ele não me entendia e eu não o entendia, mesmo que forçasse a minha mente a entendê-lo, não sei se ele fez o mesmo.

Eu deveria me sentir aliviada, como se a conversa que queria ter desde o começo, tivesse acontecido, que todas as cartas tivessem sido colocadas encima da mesa e todas as confusões solucionadas.

Eu tive a conversa.
As cartas estavam na mesa.

Mas as confusões não foram solucionadas.

Eu me senti inútil, não conseguiria dar a ele o que ele queria. E mesmo que durante muito tempo ele não reparasse, eu dei tudo que eu podia oferecer para conseguir agradá-lo. Não consegui o que ele mais queria e era tão simples! Ninguém entende realmente como a mente funciona, como os sentimentos são postos, como eles mudam drasticamente de um dia para outro.

Mas eles mudam e não há nada que possamos fazer para tentar recuperar o antigo sentimento que, provavelmente, poderia agradar a ambos.

Eu sempre falei, de um modo mais jovial e divertido, que eu era a imagem da metarmofose ambulante. Mas nunca realmente acreditei nisso até tudo acontecer. Até eu simplesmente não conseguir amá-lo como devia, abraçá-lo como de costume e beijá-lo como antes gostava. Tudo se transformou em pó, em um passado distante. Eu estava lá, mas não era a mesma.

Definitivamente não era a mesma.

Acho que, se Deus realmente existe, Ele deve ser um cara muito sacana e com uma ironia ácida, daquele modo de criança quando gosta de pegar bonequinhos e desmembrá-los só por diversão, sem um motivo próprio. Porque me senti em um jogo irônico, malvado, onde eu não tinha mais escolhas.

Minto. Sim, eu tinha escolhas.

A escolha de me amar e tentar ser feliz e a escolha de amá-lo e ser infeliz. Era como um gosto da derrota, aquele gosto amargo que fica preso na garganta, que não desce nem sobe. Fica preso lá, sem se mexer, cutucando sua garganta de tempos em tempos para te lembrar do fracasso.

"Você não conseguiu", eu podia escutar em minha mente. "Ele te odeia e pensa que você o enganou". Eu podia conviver com isso, pelo menos por um tempo.

Há sinceridade no que digo. Não engano. Não tenho a capacidade de enganar, não a alguém que amo, mesmo que não do modo que lhe foi desejado. Eu chego a ser má pela falta de senso e pela falta de jeito por não enganar. Evito falar o que é falso.

Parece egoísta da minha parte e pode até realmente ser. Não me importo com isso. Já assumi que todos são egoístas, mesmo que não gostem de dizer isso desse jeito, dizem "eu penso em mim", mas para mim tem o mesmo valor. Eu pensei em mim, porque pensar nos outros não me levaria a nada no final. Além de um poço fundo de infelicidade e frustração por não ter feito o que eu queria para mim.

Eu sou jovem e pensar que essas coisas passam em minha mente sendo que nem ao menos cheguei aos 30 - faltam ainda 11 anos para isso acontecer - me deixa visivelmente preocupada. Não quero envelhecer rápido de mais, afinal, tudo acaba e um dia - espero que daqui há, no mínimo, 50 anos - terei olheiras, peitos caídos, boca fina e orelhas enormes. Estarei numa cama, vendo pessoas indo e vindo, vendo outras morrendo. Não terei mais sonhos a seguir, porque não terei como seguir, eu simplesmente vou parar, acabar a metamorfose e ficar. Enquanto ainda não chego aos momentos tensos de minha vida, enquanto ainda posso crer na juventude de meus sonhos, não vou parar. Egoísta, mas infelizmente real.

Pensar no eterno e no para sempre não me leva a nada, somente a momentos felizes, momentaneos e imaginativos. De qualquer modo, talvez, somente talvez, eu, em minha tentativa de não envelhecer muito rápido, já tenha feito isso por pensar tão cautelosamente sobre minhas decisões. Mas sobre isso, não pretendo pensar. Seria mais uma grande frustração e estou farta dessas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Do outro lado da Porta

Olá, depois de tanto tempo, hein, meus amigos? Cá estou eu, o texto não tem muito sentido, mas tem sentido para mim. Eu espero que vocês consigam entende-lo, prometo que daqui para frente, esse blog parará de ficar parado!

Beijos e Abraços,

Da Autora.

____

Eu tinha simplesmente fechado a porta atrás de mim. Não era uma tarefa difícil, nem ao menos algo que merecesse muita concentração, mas me senti arrasado e um pouco aliviado. A sensação de não estar feliz daquele lado da porta, me matava a cada momento, destruia cada pedaço da minha alma e me tirava noites de sono, mesmo com a destruição que fui obrigada a oferecer para me fazer feliz, essa destruição que me arrasou um pouco, porque sabia que algo tinha terminado para sempre, sinto que nunca entendi tão fielmente o significado da frase "valer a pena". No final não existe o outro, o sentimento alheio e a felicidade alheia, se eu não me focasse em mim, no meu sentimento e em minha felicidade, transformar a outra pessoa em alguém de bem com a vida, não valeria absolutamente nada.

Seria andar a cada momento dentro daquela sala, olhar para a porta que me daria o alivio e virar as costas porque vi outra pessoa sofrendo. Para ser sincero, no mundo existe você, não existe alguém que te ame mais além de si próprio, tudo é passageiro, todos vão embora, morrem, desaparecem, viram poeira cósmica. O que se mantém, o que precisa se manter feliz, é você. É estúpido o que inventou o "para sempre", uma simples enganação sentimentalista que não serve para porcaria alguma, talvez para partir os corações das pessoas que uma vez disseram isso.

O que mais me importa foi ter certeza de minha consciência, aquela que se manteve tão limpa quanto o bumbum de uma criança recém-nascida. Não falei nada que não sentia, nem agi de maneira que eu achasse imprudente, usei as palavras que se encaixavam no momento e não disse outras simplesmente para agradar alguém. Falar um "eu te amo" em qualquer momento, torna a palavra banal. Falar um "eu te amo" quando você simplesmente não ama a pessoa no sentido encaminhado, te torna um ser falso. Eu não fui falso em nenhum momento, deixei o "eu te amo, meu amor" e mantive o "eu te amo, cara", que possui um significado completamente oposto ao anterior.

A porta se fechou, eu girei a chave, eu joguei a chave fora e eu não me importei mais. Liguei para alguém, dei uma volta e acendi um cigarro. Dei belas tragadas, sentindo a nicotina entrar em meu organismo e me relaxar aos poucos e ai eu destruí aquela porta pela minha imaginação. Eu queria poder deixar aquela porta entreaberta, deixar quem está do lado de lá, vir para o lado de cá, dar um oi, um aperto de mão e pedir uma tragada do meu cigarro. Mas como era impossível, eu aceitei a decisão alheia. Se magoei, parei.

Eu fui embora e caminhei pela rua deserta, apagando meu cigarro no asfalto e sentindo o ar da noite que percorria meus pulmões, ardendo com o frio, fechei os olhos quando a lua apareceu, naquele dia ela estava maior do que o resto do ano, era alguma coisa que envolvia ciência, o que importava era que aquele queijo grande no céu estava maior ainda, parecido com a minha liberdade. Ela crescia do mesmo modo. Eu sabia o que eu queria fazer, sou jovem e tenho uma boa vida, não quero que ela acabe aqui, vou seguir e fazer o que planejei, aquelas coisas que imaginei que ia fazer fora daquele lado da porta.

O que mais me espantava era que não me sentia mais mal, não tinha mais aquela sensação de peças fora do lugar como eu senti alguns anos antes quando fechei outra porta. As peças estavam lá, nos seus lugares, certinhas, limpas, bem ajeitadas. Eu sorri feito um bobo pensando que no final, nada mudou. Eu só parei durante um tempo e lá estava eu de novo tomando meu caminho. Aquela sensação era uma das melhores da vida, você sabe que nada pode te desanimar, mesmo sem quarto, casa, cama, comida. Somente aquele chão frio e aquela lua grande lá encima, era o suficiente para eu me sentir no lugar. Eu estava cansado, mas cansado porque fiquei mais tempo do que o planejado parado. Aos poucos você se acostuma com a sensação e suas forças voltam como eram antes.

Ativas. Eu estava novamente ativo.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Espírito Natalino

Olá a todos, por milagre eu voltei, um milagre natalino. Venho lhes trazer o que eu considero o verdadeiro Espírito Natalino, inspirado em amigos e principalmente nas minhas conversas com Thiago Mattar.

Espero que gostem,

Beijos e abraços
Da Autora.

____

As luzes de natal apagavam e acendiam. Eu tentava fumar um cigarro na janela da cozinha quando eu perdi totalmente a concentração com aquelas luzes. O mais estranho é que já estávamos em janeiro, metade de janeiro, e aquelas luzes ainda não tinham saído. Aquilo me deixava não só irritado como deprimido.

Será que o tempo tinha passado tão rápido e já estávamos em dezembro de novo? Eu sei que isso seria impossível, mas era exatamente essa idéia que me passava pela cabeça quando via aquelas luzes piscando, aquelas árvores de natal falsificadas nas janelas dos apartamentos vizinhos.

Eu nunca entendi porque usamos pinheiros no Brasil no natal, aqui nosso natal é quente e sem neve, a coisa mais parecida com neve que temos é a chuva de verão. Mesmo assim em cada lugar que vemos, pinheiros com cores natalinas e com neves artificiais. Eu preferia ter uma palmeira como enfeite de fitinhas do Senhor do Bonfim em minha casa, se fosse assim.

Não é por menos que o índice de suicídio nas festividades de fim de ano aumentam. É realmente deprimente e exaustivo. Quem nunca decorou o Ave Maria, como é o meu caso, sofre nessas épocas. Naquele momento quando bate a meia noite e você não comeu nada desde a uma da tarde e ainda assim, nessa meia noite você é obrigado a fazer uma roda de mãos dadas e rezar o Pai Nosso e o Ave Maria quando tudo que você pensa é como aquele peru está suculento e como você está morto de fome e provavelmente bêbado depois de tanta bebidinha para socializar que você tomou com o estômago vazio. E ainda te obrigam a abraçar as pessoas que até ontem estavam te mandando a merda.

As duas únicas coisas que me veem a cabeça quando penso em natal são: 25 de Março e transito. Talvez porque sejam as duas coisas que mais eu veja nos noticiários da TV quando estou em casa, é só você ligar a TV e aparece aquela rua parecendo um formigueiro, pessoas com sacolas enormes, suados e se trombando, depois imagens que sobrevoam o caminho para as estradas que levam a praia mais próxima, agora são formiguinhas com carrinhos de brinquedo, parados durante horas, sabendo que só vão conseguir colocar os pés em uma praia daqui umas 12 horas. O mais irônico é eu estar sozinho em casa nesse momento, sem ninguém me trombando, vendo tv e incrivelmente entediado.

Quando resolvo sair de casa me sinto pior, entro em um shopping e a primeira coisa que escuto são crianças gritando para ver um velho com barba de algodão e uma roupa vermelha que deve estar o fritando por dentro. Penso mais uma vez naquele suor da 25 de Março, aquele cara vestido de Papai Noel deve estar sentido a mesma coisa e deve ser ainda pior quando ele chega em casa cansado de abraçar crianças, perguntar se elas foram boas com seus pais e falar "ho ho ho" e ai escuta sua mulher lhe perguntar: "Você vai se vestir de Papai Noel para meus sobrinhos no natal, não vai?".O pior é que ela ainda reclamava quando ele levava trabalho para casa.

Eu sempre quis saber qual era a sensação de passar um natal em casa, comendo miojo e tomando uma cerveja sozinho, no máximo com uma pessoa ao meu lado, vendo algum filme que não envolva o Espírito Natalino, porque, no final, vai ser mesmo um dia qualquer. A diferença é que após a meia noite e após as orações e abraços desnecessários, eu voltava cinco quilos mais gordo com a comida de natal.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Aniversário

Há algo que eu sempre disse sobre a felicidade, eu imaginava que uma pessoa realmente feliz é aquela que olha para trás e sorri lembrando de cada coisa que viveu, hoje eu fiz outra coisa, além de olhar para trás, eu olhei para frente e sorri, não importando quantas coisas já me fizeram chorar ou me fizeram sofrer, ou como minha infância foi feliz e como eu tenho história para contar, mas como o momento que vivi no agora fez parte fundamental de minha vida.

Aniversário muitas vezes não parece bom, porque significa que você está ficando mais velho e perdendo as diversões que tinha quando jovem, ou que as responsabilidades vão aumentando, ou então a parte chata de receber telefonemas daquelas pessoas que nunca se lembram de você o ano todo e que só conversam com você por cinco minutos nessa data e no natal. Mas hoje eu nem me importei.

As pessoas que eu amo estavam presentes e eu me senti como se estivesse naqueles filmes clichês hollywoodianos, onde a família está toda reunida, todos sorrindo e conversando, rindo horrores falando de bobagens que nunca costumam falar, e foi tudo isso. Muitas pessoas têm o costume de se nomearem pessoas “família”, aquelas que se dizem caseiras, que amam ficar em casa com suas famílias, algumas dessas pessoas falam isso simplesmente da boca pra fora, mas eu acho que sou diferente, porque eu estar lá, com meus pais, minhas primas, meu irmão, minha tia e principalmente minha avó, foi o maior presente que eu poderia receber esse ano.

Eu via tudo em slow motion, cada ato e cada conversa, cada lembrança besta que tivemos juntos, cada palavra idiota que eu falei, tudo. E não é só isso, eu me senti tão inteiramente feliz que comecei a pensar que todos os planos que fiz em minha vida podem esperar alguns minutos, todas as responsabilidades, trabalhos e coisas chatas, naquele minuto podiam desaparecer.

Ninguém sabe o que é receber o mundo coberto de chantili e cheio de cerejas de seu melhor amigo, o que é escutar de sua família a sinceridade de que eles se orgulham de mim, o que é abraçá-los e se sentir totalmente completa. É assim que me sinto agora.

Depois de tantos aniversários, 18 para ser exata, esse décimo nono aniversário foi o melhor de minha vida, e eu agradeço muito, agradeço a minha família, aos meus amigos, ao meu querido Thiago M. Mattar, aquele que em pouco tempo se tornou o amigo que eu mais admiro e respeito, aquele que fez esse dia e o dia anterior a ele os melhores de minha vida e que torna todos os dias que estou ao lado dele, um dia especial. Muitas pessoas não entendem essa amizade, mas eu acho que é porque nunca tiveram uma amizade pura como eu tive a honra de ter, não sabem o que é conversar sobre filmes que gostamos e termos as mesmas cenas favoritas, ou aprender um com o outro e nem ao menos ser um amor físico, e sim totalmente sentimental.

Eu acho que hoje eu finalmente posso ter certeza quando digo que estou completa, eu ainda tenho meus planos e coisas que quero fazer, coisas que quero descobrir, mas meu coração está completo, com todas as pessoas que amo e admiro, todas as pessoas que me encantam. Obrigada, por fim eu digo, por essas poucas e especiais pessoas, obrigada por estarem comigo e obrigada por me fazerem chorar de felicidade enquanto escrevo isso. Hoje eu tive o mundo “com calda de chocolate e uma cereja encima”.

Abraços de
Juliana A. M. Monteiro

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Garota Metamorfose

O grande problema de escrever e imaginar um título na minha opinião, acabei de terminar uma história e não faço idéia o que escrever como título, até corrigir os erros de português (que por incrível que pareça, mesmo sendo quase jornalista e quase escritora, são muitos) eu penso num título bom.

Eu vou tentar não demorar muito nas postagens agora, prometo que vou me esforçar!

Beijos e abraços,

Da Autora.

____

Era estranho encontrar um lado vazio naquela cama, me abraçar nos travesseiros pela falta daquele corpo que antigamente eu abraçava. Era diferente acordar de manhã, atrasado e sem escutar a respiração calma dela enquanto me forçava a abrir os olhos. Hoje meus olhos se forçavam para abrir, por saber que uma vez abertos, ela não estaria por lá.

Mesmo com todos os avisos, diretos e indiretos, de sua parte, eu continuei lutando e crendo que aquilo jamais ia acontecer, que talvez fosse só coisa de cinema, que não ia acontecer comigo. Eu não me lembrava de ter jogado chiclete na cruz, mas estava recebendo um castigo e tanto. Ela me falava que um dia ia se cansar, que um dia ia me abandonar e que não ia dar aviso prévio. Que nosso amor era que nem pizza, uma hora ia encher, acabar e ela se levantaria e jogaria a caixa fora, indo depois se sentar na frente da TV para gastar tempo.

Mas ela era tão diferente! Talvez por esse mesmo motivo que ela não era o tipo de mulher que aturaria ficar ao lado de um homem comum como eu, com os mesmos papos, os mesmos caminhos e os mesmos destinos. Ela fugia de qualquer rotina, mudava o caminho de casa só para falar que não tava indo pra mesma casa, trocava a marca de cigarro porque pensava que era um modo de não viciar. Vício é uma coisa muito comum. Ela nem usava carro, porque como era muito caro trocar o carro toda vez que se cansava, ela preferia só mudar o tênis, aqueles all-star multicoloridos que não combinavam com nada.

Por acaso ela odiava combinar roupas, usava uma peça diferente da outra, e a primeira vez que eu a vi eu achei graça, achei estranho e até ri. Mas depois eu entendi a complexidade dela e a minha vontade de conhecê-la, decifrá-la foi maior.

Não é como se ela não tivesse me avisado. Ela falou em alto bom som que não era bom aquilo, que ela não queria me fazer sofrer, mas eu pensei que fosse história boba de qualquer garota que se acha muito forte e auto-suficiente. A merda que dessa vez era verdade. Ela disse para eu não me apaixonar, para eu ir embora, mas cada vez que ela falava isso eu chegava mais perto dela.

Também assumiu que era egoísta, que uma vez ela avisa, a outra ela ligaria o foda-se e deixaria eu quebrar a cara. E foi ai que eu me ferrei mais ainda, porque ela parou de lutar contra e deixou rolar, deixou até o momento que eu não pude mais controlar minha paixão, que minha vida sem ela parecia um desperdício de tempo, como tomar um sorvete do Mac e não comer a casquinha.

Já falei do sorriso dela? Pois é, aquele sorriso era de paralisar, conhece aquele sorriso largo, bonito, com dentes brancos, e lábios carnudos? Daquele que só em uma olhada você já tá sorrindo junto? Era esse mesmo e ainda melhor, porque sempre vinha junto com uma gargalhada, daquelas grossas e altas, mas femininas, daquelas de criança de 10 anos que descobriu algum palavrão novo, aquele típico riso animado.

E ela ficava irritada quando eu falava que tava completamente apaixonado por ela, quando chegava assim de mancinho, abraçando e a beijando, ela dava alguns passos para trás e falava para eu me acalmar, me controlar. O mais bizarro era escutar a palavra "controle" de uma pessoa que fazia tudo por instinto!

Se Raul Seixas estivesse vivo, ele a chamaria de "metamorfose ambulante", porque ao mesmo tempo que ela ria, ela brigava, ao mesmo tempo que ela queria distancia, ela vinha atrás de mim, me abraçando e pedindo para fazer amor. Ao mesmo tempo que ela queria estar por cima, ela pedia para ficar por baixo, queria ser o controle e o descontrole.

E ela queria o mundo, "Com calda de chocolate e uma cereja em cima". Falava que queria carinho, deitava de conchinha, pedia beijos no pescoço, cafuné nos cabelos - que mudavam de cor de acordo com o humor dela, mas de repente ela pulava fora, saída do meu lado e mandava eu embora.

E um dia ela pulou de vez, e só deixou um papel em branco, enrolado, com um cordãozinho envolta dele, daqueles de couro bem velho, com somente um símbolo, a única coisa que ela não tirava nem trocava, era algo como um símbolo antigo que ela nunca me explicou o significado, só falava que era dali que ela tinha saído e dali que um dia ela ia voltar.

Só sei que ela foi, e agora eu não achava graça, nem no antes nem no depois. Não é fácil de acostumar com o normal quando você viveu um tempo com o anormal. Vai ver que ela nem era anormal, somente diferente, somente perfeita. Ainda mais perfeita para mim.

domingo, 4 de outubro de 2009

Preconceito Sexual

Há tanto tempo sem postar que eu juro que estou perdendo a minha criatividade para escrita. Talvez pela falta de tempo, talvez pelo excesso de tempo, de qualquer jeito, hoje estou me focando ao máximo para poder falar pelo menos algumas linhas sobre um assunto que está me incomodando profundamente.

Não quero parecer repetitiva, ou escolher assuntos que outros já trataram, mas não tive escolha, sei que muitos de vocês não concordarão com a minha opinião, mas isso não me impede em nada de dá-la. Preconceito, seria o assunto básico, sexualidade é onde eu vou realmente me enfiar.

Há muito tempo sofro com esse preconceito, antigamente homossexuais se diziam descriminados, assunto de preconceito pelo resto da população, mas hoje em dia, é uma heterossexual que vem até vocês para falar que está sofrendo preconceito.

Algumas coisas estão se tornando moda, o que antes era considerado algo sem escolha, afinal quem realmente escolhe viver a vida sendo ofendido por o que é? Hoje em dia é considerado moda. O Homossexualismo se tornou uma marca de grife, o que me incomoda profundamente.

O modo como você se veste pode ser um dos motivos que você tem “um pé” para se tornar gay ou hetero, é uma chatação inacreditável, você fala de um modo, age de um modo, se veste de um modo, trata os outros de um modo, por isso você pode ser “x” pessoa. Tiraram a escolha do outro de assumir o que é, tiraram a capacidade dele se sentir livre para se descobrir, simplesmente enfiam um rótulo goela a baixo e você tem que aceitar, caso não aceite, é motivo de piada.

Isso não é vida, “opção” sexual não é algo que outros devem dizer para você, é algo que talvez você nasça com, talvez você tenha que se descobrir. Não é uma tribo nova, não é um estilo, é a sua vida, é o modo que você segue ela, é com quem você pretende estar quando envelhecer.

Ser rotulada de gay porque eu ajo de uma determinada forma, é uma forma de preconceito inacreditável, ainda mais por serem os próprios homossexuais que estão me rotulando. Já pensou o quanto você sofreu por ser o que você é, já pensaram como você sempre desejou ser feliz quando muitas vezes sua própria família não te aceita? Já pensou o quanto você mesmo já sofreu com rótulos, com pessoas te chatando de tal modo, com pessoas te dizendo como ser e como agir? Ou melhor, como eles dizem ter certeza como você é?

Isso é um desrespeito a vida, um desrespeito as suas escolhas, não deixar que você mesmo se descubra, e quando você nega a primeira coisa que te dizem “ah, mas você é jovem ainda, tem tempo”, o que o tempo tem a ver com essa história? Se dizem que a sexualidade é algo que está dentro de nós, não é como se eu acordasse um dia, com 30 anos de idade e descobrisse que sou hetero ou que sou homo!

Não use o que você é como grife, se você faz isso, melhor pensar mais no que realmente é, se descubra antes que alguém diga que te conhece e que te entende. Se nem ao menos você se conhece por inteiro, o que é uma pessoa te falando que sabe exatamente como você é e como você age?

Algumas pessoas que se dizem gays hoje em dia, pensam que todos em volta também serão do mesmo modo, essas pessoas para mim, não são realmente homossexuais, porque os homossexuais que eu conheço, que eu convivo, que são realmente meus amigos, não usam isso como forma de rotular alguém, eles aceitam os outros de uma maneira até divina, porque aceitam até os que não aceitaram eles quando eles se assumiram gays.

Respeito é a base de qualquer relacionamento, sexual ou amigável, isso é o que eu pretendo que algumas pessoas sigam. Respeite a decisão dos outros, respeite como o outro é, respeite como ele vive, respeite suas escolhas, porque se você não respeita, não espere que os outros te respeitem também.

Quem luta contra o preconceito e age com preconceito, mente para si e para o próximo, não respeita e não merece ser respeitado.

Abraços,

Da Autora


PS: E o Blog fez dois anos dia 4 de Setembro, parabéns para ele e obrigada a quem lê.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Lobo

Eu sinto muito pela demora, juro que dessa vez a culpa não foi toda minha e da minha falta de criatividade. Mas meu computador quebrou e estou usando temporariamente o do meu pai só para olhar os emails e algumas outras coisas. No entanto, antes de sair, consegui escrever algo, está meio confuso, mas acho que dá pra entender!

Beijos e abraços
Da autora.

_____

Eu queria gritar. Ele me chamava como um rugido alto e violento e tentava de todos os modos arranhar o meu peito, mente e corpo. Eu fechava os olhos e imaginava quando aquele tormento ia terminar, mas parecia inútil me controlar. Sua força era tão grande, me rasgava ao meio, destruía qualquer parte racional de minha mente, entrava em minhas entranhas e me possuía, me controlava e me fazia lutar.

Ele queria que eu visse tudo que fechava os olhos, todos os dias que abaixava a cabeça e seguia em frente fingindo que nada acontecia, ele trazia um tratamento de choque, me fazendo finalmente reagir. Eu não sabia o que fazer, mas aquela força que ele me oferecia, ou melhor, que ele jogava em mim violentamente, me trazia algo, algo mais forte do que eu jamais experimentei. Não era ódio, mas era totalmente descontrolado, ele ignorava minha razão e me obrigava a seguir meus instintos. Não era injusto.

Ele sabia o que estava fazendo e eu também sabia o que deveria ter feito e nunca fiz, agora era a hora de mostrar o que eu realmente poderia ser. Eu o abracei, o absorvi e deixei que meu corpo se tornasse dele, que a força que ele tinha, se tornasse a minha própria. E eu queria lutar. Eu ia lutar, eu conseguia sentir meu sangue quente circulando, queimando minhas veias, pulsando, fazendo meu coração ir mais rápido e sem controle, forte, como se eu pudesse o escutar a metros de distância. Eu podia correr sem me cansar, podia observar tudo, ver pessoas agindo do mesmo modo que eu agia, eu tinha um propósito agora e aquilo era a melhor coisa que poderia ter acontecido.

Ele me ensinava a cada passo, mostrava os sangues congelados e os corações frios que eu devia destruir, eu me enojava somente ao ver essas pessoas. Não. Elas eram mais monstros, que tomavam o poder de uma sociedade inteira, escravizando almas e absorvendo todo o poder que podiam encontrar, toda a energia de pessoas que não sabiam se proteger. Tão covardes! Não davam chance, não permitiam que essas pessoas soubessem o que estava acontecendo com as suas escolhas, deixando aquele povo ainda mais absorvido num manto de ignorância e alienação!

Eu estava lá, ainda podia me lembrar das vezes que me mantive calado, pensando que o que me tiravam era tudo que eu merecia, porque eu era o errado. E agora estava em outro lado, correndo em direção a uma justiça. E ela não era doce, era amarga, áspera e fria, congelava minha garganta a cada gole, e me esmurrava na face sem perdão, era tão congelada porque estava a tanto tempo sem ser tocada.

Eu sentia uma ira que fazia meu corpo tremer, a raiva dominava cada centímetro meu, me prendia e tentava me fazer reagir, e eu estava pela primeira vez em minha vida, reagindo. Ele não se orgulhava, nem ao menos sorria, seus dentes estavam serrados, me encarando, demonstrando um desprezo difícil de tragar. Eu merecia, depois de tantos anos andando no escuro, finalmente abria meus olhos, e merecia o desprezo pela demora. Eu tinha a força, a justiça e a raiva. Esta três combinações poderiam destruir meu corpo e tudo que nele consiste, mas agora somente me alimentava. Vencer é a palavra mais desejada, porém a mais difícil de alcançar, quando uma sociedade está tão dominada pelos poderes errados, vencer não é o caminho, mas incomodar e unir, mudar. Não é porque estou numa guerra em que todos os fatores me informam a derrota, que irei desistir. Quem antes sentia medo, agora trará medo.